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As cerimônias da Semana Santa: Domingo de Ramos

A última semana da Quaresma, que encerra os quarenta dias que antecedem a páscoa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é denominada como Semana Santa. Durante este período, a Igreja celebra os principais episódios do mistério da Paixão através de cerimônias solenes e cheias de significado.

O que é o Domingo de Ramos?

A Semana Santa é iniciada com o Domingo de Ramos, no qual se recorda a entrada triunfante de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém, seis dias antes de sua Paixão.

Chama-se “de Ramos” por causa da procissão realizada neste dia, na qual os fiéis levam na mão um ramo de oliveira, ou de palma.

A Sagrada Escritura narra que o povo foi ao encontro de Nosso Senhor, cobrindo com vestimentas o chão por onde ele passaria; cortavam-se galhos de árvore, que eram levados, em sinal de alegria, ao canto de: “Hosana ao filho de David! Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” (Mt 21, 1-11).

A cerimônia de Domingo de Ramos

Para tornar mais real a lembrança desse fato, antes da Missa, o sacerdote revestido de paramentos de cor vermelha ou de capa, abençoa os ramos que, logo em seguida serão distribuídos aos fiéis presentes.

 

Após a bênção e distribuição dos ramos, um Diácono proclama o trecho do Evangelho no qual se narra o fato, tal como aconteceu em Jerusalém (Mt 21, 1-11; Mc 11, 1-10; Jo 12,12-16; Lc 19, 28-40). E então, após a leitura, o Celebrante ou o Diácono diz: “Irmãos e irmãs, imitando o povo que aclamou Jesus, comecemos com alegria a nossa procissão”.

Os fiéis empunhando seus ramos seguem em procissão para a igreja onde será celebrada a Missa. Levam os ramos em sinal do triunfo real que, sucumbindo na cruz, Cristo alcançou. Baseando-se nas palavras de São Paulo: Se com ele padecemos, com ele também seremos glorificados. (Rm 8, 17).

 

Por que Nosso Senhor entrou triunfante em Jerusalém antes de sua Paixão?

Dentre os motivos pelos quais Nosso Senhor quis entrar, antes da sua Paixão, triunfante em Jerusalém, como fora predito estão o de animar os seus discípulos, dando-lhes por esta forma uma prova clara de que Ele ia sofrer espontaneamente; e o de nos ensinar que por sua morte Ele triunfaria do demônio, do mundo e da carne, e que nos abriria as portas do Céu.

O ramo bento: poderoso sacramental

 

Os ramos bentos, são um sacramental para o uso dos fiéis. Na liturgia grega e na latina, os ramos de oliveira tinham um caráter simbólico como sinais de esperança, vitória, vida.

Os fiéis levam para casa esses ramos que foram solenemente levados durante a procissão e que, antes receberam a benção da Igreja. Confiados na proteção de Deus, a esses ramos atribui-se eficácia curativa e protetora em ocasiões de perigos, tempestades, raios, incêndios e outras desgraças.

A procissão de Ramos volta para a Igreja

 

Chegando de volta a igreja, o clero e o povo encontram a porta, previamente, fechada. Uma parte dos cantores estando dentro da igreja, representando os coros angélicos, entoa o “Gloria laus” (Glória, louvor e honra, a Cristo, Rei redentor). A outra parte, ainda fora do santuário, pede em seus cantos a entrada livre para Cristo que triunfou pela cruz.

Concluído o hino, um ministro bate três vezes na porta, que não se abre. Então, o cruciferário -aquele que porta a cruz processional- bate na porta com o pé da haste cruz. Então a porta se abre e a procissão entra no templo.

Simbolismo da Cerimônia de Ramos

O simbolismo desta cerimônia é de fácil interpretação. A Igreja fechada a princípio, representa o céu, que por causa do pecado de Adão e Eva, está fechado e no qual não entra ninguém. Mas agora abrem-se novamente as portas, por virtude da morte de Nosso Senhor na cruz. E as almas remidas por Nosso Senhor Jesus Cristo, o vencedor, podem entrar na Igreja, no Céu.

Origem da Procissão de Ramos

A procissão, é mencionada por alguns autores já no século IV, ao passo que a benção dos ramos remonta ao século VII ou VIII.

 

O costume da procissão de Ramos provém já desde o século V. Os cristãos se reuniam no Monte das Oliveiras e, após a solene liturgia da Palavra, dirigiam-se em procissão à cidade de Jerusalém, levando ramos de oliveira, recordando a entrada solene de Jesus na cidade santa. A partir do século VII encontramos esse mesmo costume nas Igrejas do Oriente e do Ocidente.

A Procissão de Ramos na Idade Média

 

Na Idade Média, essa procissão era realizada de modo piedoso e solene: Cristo era simbolicamente representado por uma cruz ou por um livro do Evangelho que era levado em um andor ornamentado.

Usava-se também a figura de um asno de madeira que se deslocava sobre rodas e sobre o qual vinha uma imagem esculpida de Nosso Senhor. E foi também estabelecido o costume de benzer os ramos numa igreja ou capela situada fora dos muros da cidade.

Final da cerimônia de Ramos

Após a procissão, o celebrante tira a capa, se estiver revestido dela, e veste a casula roxa, porque apesar destas cenas de entusiasmo e de glória na procissão pouco tempo depois destas aclamações dos judeus de Jerusalém, serão iniciados os opróbrios, escárnios e as terríveis dores da Paixão.

A Missa de Ramos

 

A Missa solene é iniciada. Nela é cantado o Evangelho da Paixão segundo São Mateus, São Marcos ou São Lucas conforme o ciclo das leituras, por três diáconos ou três sacerdotes. Um deles faz o papel do evangelista, historiando o drama; outro canta as palavras de Nosso Senhor e o terceiro diz a parte da sinagoga (palavras dos judeus, de Pilatos e dos apóstolos).

Chegando a parte em que se diz: “emisit spiritum” (entregou o espírito) todos ajoelham-se e prostram-se. Em certos países, osculam a terra. No final da leitura, diz-se: Palavra da Salvação, mas não se oscula o livro. Após a homilia, a missa prossegue normalmente, até seu final.

 

Fonte e foto: GAUDIUM PRESS




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